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		<title>Uploads from angelorocha, tagged tristeza</title>
		<link>http://www.flickr.com/photos/angelorocha/tags/tristeza/</link>
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		<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 13:09:08 -0800</pubDate>
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			<title>Uploads from angelorocha, tagged tristeza</title>
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		<item>
			<title>Bendita.</title>
			<link>http://www.flickr.com/photos/angelorocha/5408158567/</link>
			<description>			&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/people/angelorocha/&quot;&gt;angelorocha&lt;/a&gt; posted a photo:&lt;/p&gt;
	
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/angelorocha/5408158567/&quot; title=&quot;Bendita.&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://farm6.staticflickr.com/5297/5408158567_1191e2a370_m.jpg&quot; width=&quot;240&quot; height=&quot;171&quot; alt=&quot;Bendita.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Visit: &lt;a href=&quot;http://www.facebook.com/pages/Angelo-Rocha-Photography/183142061796135?sk=wall&amp;amp;filter=1&amp;amp;ref=notif&amp;amp;notif_t=wall&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;FACEBOOK&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos poucos, dia pós dia, em meio a febres e trovões, sementes plantadas sob meus pés, ganhavam vida, e alcançavam a altura de meus olhos, encobrindo o horizonte. E ao ver o resultado do suor de minhas mãos que ao fim do dia estavam calejadas, e com terra embaixo das unhas, senti-me envelhecida, notando que o processo que decorreu em minha vida também coinscide-se com o crescimento deste milharal. Embora não tão marcadas como meu rosto, apresentavam marcas de todo o processo de seu desenvolvimento, passando por temporais e secas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao me encontrar no meio de todo aquele campo alto, onde quase eu me perdia de vista, senti-me orgulhosa dos passos que dei até chegar onde estou, e percebo que cada marca em meu rosto que consigo enxergar com o pouco que ainda me resta de visão, são marcas que externamente demonstram quem me tornei por dentro. Narrar dores e sofrimentos são piegas, porém é através de quedas, que aprendi que até mesmo quem ganha vida vindo sob o solo, consegue chegar mais perto do céu, e tocar as nuvens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Envelheci, com tarefas cumpridas e alguns planos não realizados, mas chego a última fase da vida com desejos ainda da mocidade, querendo apenas deitar nessa terra molhada, e sentir a brisa forte, trazendo a chuva para lavar minh'alma. &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Angelo Rocha)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Son of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=bsuXbkrA_AQ&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Alexandra Burke - Hallelujah&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
			<pubDate>Tue, 01 Feb 2011 13:09:08 -0800</pubDate>
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            			<author flickr:profile="http://www.flickr.com/people/angelorocha/">nobody@flickr.com (angelorocha)</author>
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    <media:title>Bendita.</media:title>
    <media:description type="html">&lt;p&gt;Visit: &lt;a href=&quot;http://www.facebook.com/pages/Angelo-Rocha-Photography/183142061796135?sk=wall&amp;amp;filter=1&amp;amp;ref=notif&amp;amp;notif_t=wall&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;FACEBOOK&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Aos poucos, dia pós dia, em meio a febres e trovões, sementes plantadas sob meus pés, ganhavam vida, e alcançavam a altura de meus olhos, encobrindo o horizonte. E ao ver o resultado do suor de minhas mãos que ao fim do dia estavam calejadas, e com terra embaixo das unhas, senti-me envelhecida, notando que o processo que decorreu em minha vida também coinscide-se com o crescimento deste milharal. Embora não tão marcadas como meu rosto, apresentavam marcas de todo o processo de seu desenvolvimento, passando por temporais e secas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Ao me encontrar no meio de todo aquele campo alto, onde quase eu me perdia de vista, senti-me orgulhosa dos passos que dei até chegar onde estou, e percebo que cada marca em meu rosto que consigo enxergar com o pouco que ainda me resta de visão, são marcas que externamente demonstram quem me tornei por dentro. Narrar dores e sofrimentos são piegas, porém é através de quedas, que aprendi que até mesmo quem ganha vida vindo sob o solo, consegue chegar mais perto do céu, e tocar as nuvens.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Envelheci, com tarefas cumpridas e alguns planos não realizados, mas chego a última fase da vida com desejos ainda da mocidade, querendo apenas deitar nessa terra molhada, e sentir a brisa forte, trazendo a chuva para lavar minh'alma. &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Angelo Rocha)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Son of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=bsuXbkrA_AQ&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Alexandra Burke - Hallelujah&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</media:description>
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		<item>
			<title>A-Deus em Paz.</title>
			<link>http://www.flickr.com/photos/angelorocha/5063157090/</link>
			<description>			&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/people/angelorocha/&quot;&gt;angelorocha&lt;/a&gt; posted a photo:&lt;/p&gt;
	
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/angelorocha/5063157090/&quot; title=&quot;A-Deus em Paz.&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://farm5.staticflickr.com/4144/5063157090_8df4c3d6e9_m.jpg&quot; width=&quot;240&quot; height=&quot;194&quot; alt=&quot;A-Deus em Paz.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;b&gt;Luto em memória a Waldomiro Ribeiro - Meu querido avô.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há coisas que mudam sem avisar. E indefesamente você prende-se a um exílio de lamúrias, e tudo tende-se a ficar estático, pois nada é maior que sua dor... O clima fechou, lá fora só se escuta o som de gotas d'água atingindo o telhado, e o vento batendo à janela, similarmente a um pedido ou conselho dito de uma forma sutil: Sim, empreguine-se com essa sensação de padecimento e despeje o impacto que recebeste sem prévia, sem conformidade... Suas lágrimas irão escorrer por horas, dias, e se arrastarão pela vida, talvez por maior tempo, não mais vistas por fora, ficarão à seco, guardadas em si, covertidas em lembranças e saudades. Seu sorriso sentirá falta da presença, fotos não lhe irão bastar, e os acontecimentos antecendentes se percorrerão feito um filme em sua mente. A ausência é insuprível, os cobertores não lhe aquecerão tão mais de forma saciável, as músicas serão sibstitutas das suas falas, invadindo seus pensamentos e trazendo pra perto singelamente a presença não mais física, mas sim o talhe esculpido na sua memória.&lt;br /&gt;
É indelével o decorrer dos dias e a forma como tudo se caminha e transpassa sem cor. E a imagem fixa que persiste ficar altamente contrastada em sua cabeça, arranha sua ferida e a impede de curá-la, e em contrapartida faz-se feito um amparo, que corrói, porém mantêm forte o êxtase que anteriormente a ausência, a presença foi abarrotada de benevolência.&lt;br /&gt;
Foi-se, sem um recente adeus, em silêncio, tal qual sendo ensurdecedor, dolorido para quem esperançosamente implorava por sua companhia por mais tempo. Partiu, em busca de paz, a qual já não sentia aqui presente... E é aceitável a crença de que esteja perto da luz, caminhando rumo ao descanço merecido, ausente de dores e mágoas... Teu lar ficará carregado de recordações, e se tornará em semelhança a um santuário, onde ao sentir que minha dor aumenta, toma conta, será o canto onde poderei te sentir presente, perto, saciando o abraço não dado, a declaração não dita, e o amor que permanece vivo.&lt;br /&gt;
E em meio a melancolia, levo adiante meus dias, na espera de que meu coração consigo obter mais quietação e compreensão de que numa firme certeza, você está a salva, e em paz, cuidando de mim, e guiando-me para me aproximar de ser o incrível homem que se tornou. E sinto fortemente em mim, que entre minhas razões de seguir em frente, a maior dela é de cuidar de quem você ama e, que prosperamente um dia, estarei próximo a ti, também em paz, confortado por um abraço seu. Esteja em paz, e enquanto isso, ficarei aqui, forte, jamais deixando suas lembranças serem apagadas, na minha mente e no meu coração.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Angelo Rocha)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=tC_elb9ieAk&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Zé Ramalho - Batendo na Porta do Céu&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
			<pubDate>Fri, 08 Oct 2010 11:49:46 -0700</pubDate>
			                        <dc:date.Taken>2010-10-08T15:46:46-08:00</dc:date.Taken>
            			<author flickr:profile="http://www.flickr.com/people/angelorocha/">nobody@flickr.com (angelorocha)</author>
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    <media:title>A-Deus em Paz.</media:title>
    <media:description type="html">&lt;p&gt;&lt;b&gt;Luto em memória a Waldomiro Ribeiro - Meu querido avô.&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Há coisas que mudam sem avisar. E indefesamente você prende-se a um exílio de lamúrias, e tudo tende-se a ficar estático, pois nada é maior que sua dor... O clima fechou, lá fora só se escuta o som de gotas d'água atingindo o telhado, e o vento batendo à janela, similarmente a um pedido ou conselho dito de uma forma sutil: Sim, empreguine-se com essa sensação de padecimento e despeje o impacto que recebeste sem prévia, sem conformidade... Suas lágrimas irão escorrer por horas, dias, e se arrastarão pela vida, talvez por maior tempo, não mais vistas por fora, ficarão à seco, guardadas em si, covertidas em lembranças e saudades. Seu sorriso sentirá falta da presença, fotos não lhe irão bastar, e os acontecimentos antecendentes se percorrerão feito um filme em sua mente. A ausência é insuprível, os cobertores não lhe aquecerão tão mais de forma saciável, as músicas serão sibstitutas das suas falas, invadindo seus pensamentos e trazendo pra perto singelamente a presença não mais física, mas sim o talhe esculpido na sua memória.&lt;br /&gt;
É indelével o decorrer dos dias e a forma como tudo se caminha e transpassa sem cor. E a imagem fixa que persiste ficar altamente contrastada em sua cabeça, arranha sua ferida e a impede de curá-la, e em contrapartida faz-se feito um amparo, que corrói, porém mantêm forte o êxtase que anteriormente a ausência, a presença foi abarrotada de benevolência.&lt;br /&gt;
Foi-se, sem um recente adeus, em silêncio, tal qual sendo ensurdecedor, dolorido para quem esperançosamente implorava por sua companhia por mais tempo. Partiu, em busca de paz, a qual já não sentia aqui presente... E é aceitável a crença de que esteja perto da luz, caminhando rumo ao descanço merecido, ausente de dores e mágoas... Teu lar ficará carregado de recordações, e se tornará em semelhança a um santuário, onde ao sentir que minha dor aumenta, toma conta, será o canto onde poderei te sentir presente, perto, saciando o abraço não dado, a declaração não dita, e o amor que permanece vivo.&lt;br /&gt;
E em meio a melancolia, levo adiante meus dias, na espera de que meu coração consigo obter mais quietação e compreensão de que numa firme certeza, você está a salva, e em paz, cuidando de mim, e guiando-me para me aproximar de ser o incrível homem que se tornou. E sinto fortemente em mim, que entre minhas razões de seguir em frente, a maior dela é de cuidar de quem você ama e, que prosperamente um dia, estarei próximo a ti, também em paz, confortado por um abraço seu. Esteja em paz, e enquanto isso, ficarei aqui, forte, jamais deixando suas lembranças serem apagadas, na minha mente e no meu coração.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Angelo Rocha)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=tC_elb9ieAk&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Zé Ramalho - Batendo na Porta do Céu&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</media:description>
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			<title>Sétimo Dia.</title>
			<link>http://www.flickr.com/photos/angelorocha/3923360378/</link>
			<description>			&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/people/angelorocha/&quot;&gt;angelorocha&lt;/a&gt; posted a photo:&lt;/p&gt;
	
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/angelorocha/3923360378/&quot; title=&quot;Sétimo Dia.&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://farm3.staticflickr.com/2524/3923360378_6e34d4b5e4_m.jpg&quot; width=&quot;240&quot; height=&quot;188&quot; alt=&quot;Sétimo Dia.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.&lt;br /&gt;
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Caio Fernando Abreu)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=QoZtFVAdlIc&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Ronan Keating - I Will Miss You&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
			<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 08:16:51 -0700</pubDate>
			                        <dc:date.Taken>2009-09-10T16:09:30-08:00</dc:date.Taken>
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    <media:description type="html">&lt;p&gt;Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está ai, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te supreenderás pensando algo como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicidio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim - nós, não. Contidamente, continuamos. E substituimos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.&lt;br /&gt;
Claro que no começo não terás sono ou dormirás demais. Fumarás muito, também, e talvez até mesmo te permitas tomar alguns desses comprimidos para disfarçar a dor. Claro que no começo, pouco depois de acordar, olhando à tua volta a paisagem de todo dia, sentirás atravessada não sabes se na garganta ou no peito ou na mente - e não importa - essa coisa que chamarás com cuidado, de “uma ausência”. E haverá momentos em que esse osso duro se transformará numa espécie de coroa de arame farpado sobre tua cabeça, em garras, ratoeira e tenazes no teu coração. Atravessarás o dia fazendo coisas como tirar a poeira de livros antigos e velhos discos, como se não houvesse nada mais importante a fazer. E caminharás devagar pela casa, molhando as plantas e abrindo janelas para que sopre esse vento que deve levar embora memórias e cansaços.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Caio Fernando Abreu)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=QoZtFVAdlIc&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Ronan Keating - I Will Miss You&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</media:description>
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		</item>
		<item>
			<title>Luto. Em memória a Reinaldo Rocha.</title>
			<link>http://www.flickr.com/photos/angelorocha/3906943781/</link>
			<description>			&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/people/angelorocha/&quot;&gt;angelorocha&lt;/a&gt; posted a photo:&lt;/p&gt;
	
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/angelorocha/3906943781/&quot; title=&quot;Luto. Em memória a Reinaldo Rocha.&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://farm4.staticflickr.com/3479/3906943781_d178b505c2_m.jpg&quot; width=&quot;240&quot; height=&quot;188&quot; alt=&quot;Luto. Em memória a Reinaldo Rocha.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Pedro Bial)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=zM1TOUOnWYk&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Legião Urbana - Os Bons Morrem Jovens&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
			<pubDate>Thu, 10 Sep 2009 12:19:31 -0700</pubDate>
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    <media:title>Luto. Em memória a Reinaldo Rocha.</media:title>
    <media:description type="html">&lt;p&gt;Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente? Não sei de onde tiraram esta idéia: morrer. A troco?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente...&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinqüente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um chiste.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira. Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz. Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça. &lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Pedro Bial)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
♪ Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=zM1TOUOnWYk&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Legião Urbana - Os Bons Morrem Jovens&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</media:description>
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			<title>Segunda Chance.</title>
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			<description>			&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/people/angelorocha/&quot;&gt;angelorocha&lt;/a&gt; posted a photo:&lt;/p&gt;
	
&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.flickr.com/photos/angelorocha/3536266902/&quot; title=&quot;Segunda Chance.&quot;&gt;&lt;img src=&quot;http://farm4.staticflickr.com/3375/3536266902_ca2719798e_m.jpg&quot; width=&quot;180&quot; height=&quot;240&quot; alt=&quot;Segunda Chance.&quot; /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Se pudesse voltar a viver começaria a andar descalço, no início da primavera, e continuaria assim até o final de outono. Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive. Viveria cada dia como se fosse um prêmio. E como se fosse o último. Daria mais voltas, na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria muito mais do que brinquei. Teria descoberto, muito mais cedo, que só o prazer nos livra da loucura. Tentaria uma coisa nova todos os dias. Se tivesse, outra vez, uma vida pela frente.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Jorge Luiz Borges)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom fim de semana a TODOS!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=qtEYzFuEYB8&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Velho - Mafalda Veiga&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</description>
			<pubDate>Sat, 16 May 2009 07:58:34 -0700</pubDate>
			                        <dc:date.Taken>2006-01-01T00:34:00-08:00</dc:date.Taken>
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    <media:title>Segunda Chance.</media:title>
    <media:description type="html">&lt;p&gt;Se pudesse voltar a viver começaria a andar descalço, no início da primavera, e continuaria assim até o final de outono. Teria amado mais a liberdade e teria mais amores do que tive. Viveria cada dia como se fosse um prêmio. E como se fosse o último. Daria mais voltas, na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria muito mais do que brinquei. Teria descoberto, muito mais cedo, que só o prazer nos livra da loucura. Tentaria uma coisa nova todos os dias. Se tivesse, outra vez, uma vida pela frente.&lt;br /&gt;
&lt;i&gt;(Jorge Luiz Borges)&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Bom fim de semana a TODOS!&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Song of the Day: &lt;a href=&quot;http://www.youtube.com/watch?v=qtEYzFuEYB8&quot; rel=&quot;nofollow&quot;&gt;Velho - Mafalda Veiga&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;</media:description>
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